No segmento de data centers, a empresa expandiu operações em Fortaleza e Miami em 2025 e planeja inaugurar uma nova operação em Recife, no data center da Atlantic, no primeiro semestre de 2026.
BNamericas: Como estão os projetos e as expansões previstas para este ano na região? O que deve sair do papel?
Vanzin: Nossa operação vai muito bem. Ano passado, a gente tinha uma expectativa de crescer cerca de 50%. O mercado se revelou muito interessante e conseguimos dobrar, crescer 100%. Essa esticada no
crescimento nos chamou a atenção. Decidimos fazer um road show e ir atrás de captação. Conseguimos uma captação com a antes de encerrar o ano passado. Em data center, a empresa expandiu operações em Fortaleza e Miami em 2025, e temos planos de inaugurar uma nova operação em Recife ainda no primeiro semestre de 2026.
BNamericas: Por que Miami?
Vanzin: A operação em Miami atende principalmente à demanda de IA, aproveitando a ausência de imposto de importação e viabilizando custos mais competitivos para clientes brasileiros. Como o Redata não saiu ainda, fica difícil fazer muito investimento para trazer equipamentos de GPU ao Brasil. Então fez sentido para a gente manter a operação lá fora, por um custo mais atraente para o cliente nacional.
No cenário nacional, a expansão para o Nordeste, com destaque para Fortaleza e João Pessoa, foi estratégica devido à latência, tornando a empresa mais competitiva na região. No geral, para este ano, temos expectativa de crescer 60%. O que a gente enxerga como desafio, mas é desafio também para os
nossos competidores, é o shortage de placas de memória.
Observamos o mercado e sentimos diretamente o aumento dos preços da memória; chego a brincar que, em breve, veremos a cotação da memória como uma commodity na bolsa de valores, com oscilação diária. Como dispomos de caixa, temos poder de compra em grandes volumes, o que nos permite uma vantagem em meio aos desafios. No entanto, percebemos que nossos concorrentes enfrentarão obstáculos ainda mais complexos, sendo este um ponto crucial do ano.
BNamericas: Como está o tempo de entrega?
Vanzin: Normalmente a gente mantém o contrato mais ou menos uns 6 meses à frente. A gente tem como fazer uma expansão rápida se precisar, mas a nossa ideia é sempre manter 6 meses para não ter nenhum problema, nenhuma dificuldade no meio do caminho.
BNamericas: E em termos de capacidade energética nos data centers?
Vanzin: Já contratamos cerca de meio mega de energia para data center este ano. Esse volume será direcionado para as possíveis expansões em Fortaleza e para o novo data center em Recife, que ainda não foi inaugurado.
BNamericas: Como está a conta de data centers de vocês atualmente?
Vanzin: A gente tem em Cotia, em Osasco, são os dois de São Paulo, além de Curitiba, Fortaleza e Miami. No Recife, o data center que a gente vai usar será o da Atlantic [Um Telecom]. Então a gente usa a estrutura deles, monta a nossa infra lá dentro.
É como um escritório, a gente não constrói um prédio, a gente aluga a sala e dentro tudo operado por nós. Fazemos os contratos longos e usamos espaço e energia. O core nosso são os equipamentos, até porque nós somos uma empresa voltada à infraestrutura como serviço.
BNamericas: Em Miami vocês estão usando que data center?
Vanzin: É a Equinix. A Equinix é nosso parceiro mais forte lá fora, então fez bastante sentido a gente atuar com eles nesse âmbito. E a gente já tem operação lá, já tem cliente rodando GPU, temos clusters de NVIDIA operando para quem quiser iniciar algum teste.
BNamericas: O limbo do Redata tem prejudicado demanda e investimentos?
Vanzin: Na verdade, o Redata tem atrapalhado mais o desenvolvimento da infraestrutura para a AI. Para data center é algo que já está rolando há muitos anos, então ninguém vai esperar pausar porque vai surgir o Redata. Porém, o equipamento, as GPUs são caríssimos.
Ainda é uma tecnologia nova, o mundo inteiro está disputando quem compra as placas primeiro e tem uma escassez no mercado mais forte ainda do que memória – inclusive a escassez de memória é por conta de IA, porque o consumo de IA está ocupando as fábricas que usariam a capacidade para criar memória para outros segmentos.
Então, para IA, o Brasil anda bem atrasado por conta do Redata. Você imagina gastar 10 milhões de dólares em equipamento, aí você vai nacionalizar, você vai gastar mais 60%. E a partir de amanhã virou só 10, porque o gasto da nacionalização não existe mais. Então, tem esse risco que faz o Brasil estar atrasado.
O nosso estudo aqui é que o Brasil tem 12, 18 meses de atraso em relação ao mercado global por conta disso, pois muitos projetos aguardam definições regulatórias para avançarem.
Muita empresa está esperando sair ou não sair. Se não sair, o Brasil talvez não pegue o protagonismo, mas os projetos que estão pendentes vão andar. E se sair, aí o Brasil, com matriz energética forte, vai conseguir pegar boa parte do protagonismo e a demanda vai andar mais ainda.
Vale a pena esperar, mas seria interessante que saísse ou não saísse o quanto antes.
BNamericas: E há impactos diferentes para elos diferentes na cadeia de data centers.
Vanzin: Sim. Existem dois âmbitos principais dentro do conceito de data center.
O primeiro é o Facility, empresa que oferece espaço, energia, climatização e infraestrutura para que clientes possam instalar seus próprios servidores. Normalmente, o cliente de uma empresa Facility não compra os servidores, apenas utiliza o espaço ofertado.
No modelo tradicional, o cliente final adquire seus próprios servidores e os instala no data center. Já no caso da Eveo, a oferta é diferente: ela supre a demanda do cliente, oferecendo servidores próprios e serviços agregados, eliminando a necessidade de o cliente comprar servidores.
No modelo em que a empresa de infraestrutura adquire os servidores, como a Eveo, o impacto da escassez de memória recai sobre ela, diferentemente do cliente final. Grandes players como AWS e Azure
também enfrentam esses desafios de mercado, pois todos competem pelo
mesmo tipo de equipamento.
O desafio com GPUs é que, embora empresas com maior poder de compra tenham melhores condições, existe um sistema de alocação proporcional à demanda e à produção. Se a produção diminui, o volume adquirido também cai, gerando falta de oferta e aumento de preços.
BNamericas: Como a empresa lida com a escassez e o aumento de preços?
Vanzin: Para suprir a falta de fornecimento de grandes fabricantes, a Eveo busca novos fornecedores para complementar o que falta. O desequilíbrio entre oferta e demanda faz o preço subir, exigindo uma gestão financeira rigorosa para não repassar integralmente o aumento ao cliente.
É essencial fazer uma engenharia financeira eficiente e trabalhar com volumes estratégicos. O mercado está se ajustando com tecnologias novas e a Eveo acredita estar bem posicionada para enfrentar esses desafios.
BNamericas: Como você avalia o aumento de impostos de produtos de TI pela Camex, num movimento oposto ao do Redata?
Vanzin: Medidas como a decisão da Camex para equipamentos de TIC impactam parte das importações.
Você tem que esperar tudo no Brasil. Então você está vendo o governo ir para um lado, e também ir para o outro.
Assim como ele quer desenvolver IA, ele também quer arrecadar mais. Então, por isso que não dá para a gente nem criar tanta expectativa no Redata.
É ruim, mas o setor precisa estar atento às mudanças e jogar conforme as regras. Por outro lado, as dificuldades afetam todos os players igualmente, então isso também nivela o jogo.
BNamericas: Qual a expectativa para 2026 no geral?
Vanzin: Apesar dos desafios, as expectativas para 2026 são positivas, com previsão de crescimento do mercado brasileiro de tecnologia impulsionado especialmente pela IA.
O setor de nuvem privada deve manter o ritmo de expansão, já que a demanda por infraestrutura tecnológica permanece forte entre clientes de médio e grande porte, além das empresas de tecnologia, e a Eveo se posiciona como maior provedor de nuvem privada do país.
Muitas empresas ainda estão em estágio inicial de IA, utilizando AI apenas para tarefas simples. O verdadeiro ganho ocorre para empresas maduras, com processos internos bem definidos, que conseguem acelerar atividades e integrar AI de forma estratégica.
Os principais desafios são infraestrutura e segurança. Empresas buscam IA sem saber exatamente como vão utilizar, e há preocupação com o uso de informações sensíveis por grandes fornecedores. A tendência é que, com o amadurecimento, empresas busquem soluções próprias de IA em sua infraestrutura.
BNamericas: Como está distribuída a base de clientes da Eveo?
Vanzin: A Eveo atende principalmente empresas de tecnologia e corporações de médio e grande porte. Para serviços de GPU, empresas de tecnologia têm maior maturidade para uso. A base ultrapassa 2 mil clientes, majoritariamente no Brasil.
BNamericas: Há planos de expansão internacional?
Vanzin: O foco está no Brasil, onde ainda há muito espaço para crescer.
Existem data centers parceiros em Miami, Chile e México, mas a expansão internacional só será considerada quando houver benefícios claros. E quando tivermos esgotado as nossas possibilidades no Brasil.
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