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DCD | EVEO aposta em GPUs e projeta R$500 milhões até 2030

DCD | EVEO aposta em GPUs e projeta R$500 milhões até 2030

Por
Fernanda Correa
5
min de leitura
Publicado em
28/07/2026
As imagens apresentam uma estética tecnológica, futurista e sofisticada, com foco em infraestrutura de TI, data centers, GPUs e inteligência artificial. Predominam tons escuros, especialmente azul, preto e roxo, combinados com pontos de iluminação em vermelho, laranja e neon.

CEO Lucas Vanzin detalha a estratégia da empresa diante da corrida por infraestrutura de inteligência artificial no país, os gargalos regulatórios e os planos de expansão

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O Brasil vive um momento decisivo na disputa global por infraestrutura de inteligência artificial, na avaliação de Lucas Vanzin, CEO da EVEO.

Para o executivo, a matriz energética do país, com 88% de origem renovável, coloca o Brasil em posição privilegiada diante da nova onda de demanda por processamento de IA.

Embora reconheça que não há como o país competir diretamente com os Estados Unidos e a China em escala, Vanzin lembra que o Brasil já concentra metade de todos os data centers instalados na América Latina.

Além disso, o país conta com estabilidade jurídica e uma fatia relevante da demanda local que hoje é processada no exterior. Parte desse processamento poderia passar a ser atendida internamente.

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Tributação, importação e transmissão de energia são os principais entraves

Apesar do cenário favorável, o executivo aponta a tributação sobre a importação de equipamentos como o principal obstáculo à competitividade brasileira no setor.

Os trâmites complexos e a elevada carga tributária encarecem a montagem de infraestrutura no país. Por isso, a EVEO tem contornado parte desse impacto por meio da produção local.

Vanzin vê no projeto de lei do ReData, atualmente aguardando votação no Senado, um passo significativo para destravar esse gargalo.

Segundo o executivo, a medida pode ter impacto relevante caso facilite, de fato, a importação de equipamentos de computação.

Além da questão tributária, ele cita a necessidade de reforçar a transmissão de energia elétrica no país.

A geração está em patamar elevado. No entanto, a rede de transmissão precisará se expandir para acompanhar o crescimento da demanda.

Questionado se o Brasil está preparado para um salto tão acentuado no consumo de energia ligado a data centers, Vanzin se mostra confiante.

Segundo ele, o crescimento vem sendo acompanhado de perto pelas próprias empresas do setor.

Essas empresas já solicitam com antecedência as ligações de energia necessárias para os projetos dos próximos anos. Na sua leitura, esse processo é organizado e não está sujeito a sobressaltos.

Fundada há alguns anos, com foco em servidores dedicados e na nuvem privada tradicional, a EVEO cresceu dez vezes nos últimos cinco anos.

A empresa projeta uma expansão de 60% até o fim de 2026. Parte desse salto é impulsionada pela entrada no segmento de GPU como serviço.

Vanzin descreve essa vertical como uma extensão natural do modelo de nuvem privada da companhia. A diferença está no tipo de hardware, com servidores voltados a GPU em vez de CPU.

Essa lógica de oferta sob medida exige uma etapa de avaliação técnica mais aprofundada quando o cliente é uma empresa final.

No caso de outro provedor de tecnologia, a demanda já chega mais definida. Para clientes finais, a equipe de arquitetura da EVEO realiza um levantamento completo das necessidades antes de montar a nuvem privada.

Dessa forma, é possível reunir GPU e CPU no mesmo ambiente, com a mesma conectividade e baixa latência.

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Como a escassez global de GPUs afeta o estoque de equipamentos?

A escassez mundial de GPUs de ponta é um dos principais riscos operacionais do setor. A EVEO diz estar preparada para esse cenário.

Segundo Vanzin, a fila de espera para clusters como o B300 pode chegar a três, quatro ou até cinco meses.

Esse prazo pode inviabilizar projetos que já estão maduros. Por isso, a estratégia da empresa é manter um estoque de equipamentos prontos para entrega imediata.

O foco está nos modelos de GPU considerados mais promissores para o futuro, em vez de tentar cobrir toda a gama disponível no mercado.

Produção própria e oferta sob medida

A EVEO monta uma nuvem sob encomenda para cada cliente, reunindo GPU e CPU no mesmo ambiente.

A oferta combina baixa latência e cobrança em reais. Segundo Vanzin, o custo é inferior à metade de soluções equivalentes de provedores estrangeiros.

Diferentemente de revendedores que compram servidores prontos de grandes fabricantes, a EVEO adquire diretamente os componentes.

A empresa compra memória, drives, NVMe e GPU e monta os equipamentos internamente, em uma estrutura que Vanzin chama de minifábrica.

Esse modelo permite personalização conforme a necessidade de cada cliente. Além disso, o volume de compras sustenta parte da vantagem competitiva da EVEO no mercado brasileiro.

Historicamente concentrada em empresas de tecnologia, a base de clientes da EVEO diversificou-se nos últimos anos.

A companhia passou a atender também usuários finais. Vanzin cita um crescimento expressivo no número de clientes dos setores educacional e hospitalar.

A empresa também atende fornecedores que trabalham com o poder público. Segundo ele, esses segmentos compartilham uma preocupação mais acentuada com a segurança e a localização dos dados.

Por que a soberania de dados ganha importância com a chegada da IA?

A discussão sobre soberania de dados e LGPD, segundo Vanzin, deixou de ser apenas um argumento comercial.

Hoje, ela passou a ser uma preocupação central para as empresas que adotam inteligência artificial.

O executivo observa que, ao liberar o uso de IA para os colaboradores, as companhias passam a alimentar os modelos com grandes volumes de informação sensível.

Esses dados incluem informações financeiras e dados de clientes. Com isso, aumenta o risco de exposição caso essas informações estejam hospedadas fora do país.

Ele cita ainda o risco geopolítico de dados armazenados em data centers americanos poderem, em tese, ser acessados pelo governo dos Estados Unidos sob justificativa de segurança nacional.

Na sua visão, esse fator tem levado cada vez mais empresas brasileiras a priorizar provedores nacionais para cargas de trabalho de IA.

Expansão dos data centers e infraestrutura regional

A EVEO opera hoje cinco data centers Tier III em Cotia, Osasco, Curitiba e Fortaleza, além da unidade mais recente em Miami.

A expansão para o Sul do país, segundo Vanzin, respondeu à demanda por recuperação de desastres em outro estado.

Já uma segunda unidade em São Paulo atendeu clientes que buscavam redundância no mesmo estado por questões de latência.

Por sua vez, Fortaleza surgiu para atender clientes do Nordeste que sentiam o impacto da distância até os data centers do Sudeste.

Miami, primeira operação internacional da empresa, tem uma lógica diferente.

A unidade oferece conectividade direta com os Estados Unidos e permite atender clientes brasileiros sem a necessidade de nacionalizar equipamentos robustos.

Com isso, é possível evitar parte da carga tributária de importação. Ainda assim, o serviço é contratado integralmente sob as regras brasileiras, com uma empresa nacional intermediando a oferta feita a partir do solo americano.

Por ora, a EVEO não tem planos formais de expansão para outros países da América Latina ou para os Estados Unidos.

Vanzin admite, porém, que uma decisão nesse sentido possa ocorrer naturalmente no futuro.

Armazenamento e eficiência energética

A EVEO tornou-se a primeira empresa da América Latina a adotar, em escala, a solução de discos Mosaic, da Seagate.

Segundo Vanzin, o investimento foi motivado pela necessidade de reduzir o consumo de energia e pelo crescimento acelerado da demanda por armazenamento.

Esse aumento também é impulsionado pela IA, já que os modelos exigem volumes crescentes de dados.

Além disso, a companhia mantém parceria com a IBM para soluções de armazenamento voltadas à nuvem privada.

A empresa também segue expandindo a aquisição de novos equipamentos de armazenamento como parte de sua estratégia de crescimento.

Por que a governança é um dos principais gargalos dos projetos de IA?

Ao comentar a coluna do CTO da EVEO, Fábio Stein, publicada pela DCD, sobre os entraves reais dos projetos corporativos de IA, Vanzin concorda que a governança se tornou um ponto crítico de atenção.

Isso ocorre especialmente entre empresas de maior porte, que estão mais preocupadas com a localização e a segurança de seus dados.

Ele reconhece ainda um gargalo global na oferta de equipamentos. A disponibilidade atual não acompanha o ritmo de crescimento da demanda mundial.

Nesse cenário, a EVEO tenta se beneficiar mantendo estoque disponível.

Outro gargalo identificado pelo executivo é a falta de maturidade e conhecimento técnico.

Muitas empresas decidem investir em inteligência artificial sem clareza sobre qual aplicação buscar.

Por isso, a equipe da EVEO realiza um trabalho de diagnóstico junto ao cliente para entender a real necessidade.

Essa necessidade pode envolver o uso de um modelo de linguagem ou a automação de processos.

Vanzin também nota uma diferença entre empresas em que a decisão de investir parte da alta liderança sem conhecimento técnico do time e empresas já maduras.

Nessas últimas, liderança e área técnica caminham alinhadas.

Na sua avaliação, o Brasil ainda opera com uma defasagem de cerca de 18 meses em relação ao restante do mundo em maturidade na adoção de IA.

O atraso está associado à inércia regulatória e à indefinição em torno do ReData.

Ainda assim, Vanzin afirma perceber uma virada recente. Empresas que já eram clientes de computação tradicional estão migrando para contratos de GPU como serviço.

Quais são as metas da EVEO para 2030?

A meta declarada pela EVEO é chegar a 500 milhões de reais em faturamento e 10 mil clientes ativos até 2030.

Segundo Vanzin, essa meta foi construída a partir da trajetória já consolidada da empresa em computação tradicional.

O plano não depende integralmente do potencial de crescimento da vertical de GPU como serviço. Essa frente é tratada como um fator de aceleração adicional.

O principal risco enxergado pelo executivo para o cumprimento da meta é o ritmo de digitalização do mercado brasileiro como um todo.

Caso esse ritmo se mostre insuficiente, ele não descarta que a empresa busque mercados fora do país.

Por ora, contudo, Vanzin descreve uma demanda represada por nacionalização de contratos hoje mantidos com provedores estrangeiros.

Também há o crescimento natural da carteira de clientes já atendidos.

Esse cenário, somado ao aporte de capital recebido da XP, sustenta a confiança da companhia no plano traçado.

Matéria completa em: Data Center Dynamics

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