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Exame | EVEO cresce 272% no Nordeste e vai a Recife

Exame | EVEO cresce 272% no Nordeste e vai a Recife

Por
Fernanda Correa
5
min de leitura
Publicado em
20/09/2026
A imagem apresenta o interior de um data center, com corredores amplos e fileiras de racks de servidores posicionados dos dois lados. Os equipamentos possuem estruturas escuras, portas metálicas e painéis com pequenas luzes indicadoras. O ambiente é organizado e simétrico, com iluminação branca embutida no teto, piso técnico modular e sistemas de ventilação integrados. Ao fundo, é possível observar portas e outras estruturas da instalação. A perspectiva central destaca a profundidade do corredor e a disposição dos equipamentos, transmitindo uma sensação de organização, segurança e infraestrutura tecnológica avançada. A iluminação em tons frios e o contraste entre as áreas claras e escuras reforçam o aspecto moderno e tecnológico do ambiente.

Maior empresa de servidores dedicados e private cloud do Brasil vai ocupar segundo data center Tier III no Nordeste, em Recife, puxada por IA com menor latência; até 2030, mira R$ 500 milhões em receita. Imagine pedir a uma inteligência artificial para responder algo e sentir aquele segundo a mais de demora, sem saber por quê. Muitas vezes o motivo não está no computador nem no aplicativo — está na distância física entre você e o servidor que processa aquele pedido, do outro lado do país. Para empresas de IA no Nordeste, essa distância deixou de ser um detalhe técnico e virou uma decisão de negócio. Foi essa demanda que fez a base de clientes da EVEO crescer 272% em apenas dois anos . Em conversa com a EXAME, a maior empresa de servidores dedicados e private cloud do Brasil revelou que vai abrir um segundo data center no Nordeste, desta vez em Recife — movimento que, segundo a companhia, deve ajudá-la a chegar a R$500 milhões em receita anual até 2030. O empurrão vem principalmente de um tipo específico de cliente: empresas de inteligência artificial que precisam de GPU dedicada — o processador especializado que “faz o trabalho pesado” de rodar modelos de IA. Elas querem essa infraestrutura perto de casa, para não depender de servidores em São Paulo ou no Rio, e reduzir o tempo de resposta das próprias aplicações. Para entender por que isso importa tanto, basta olhar o mapa: o Nordeste é gigantesco. Recife fica a 800 quilômetros de Fortaleza — a mesma distância de São Paulo a Belo Horizonte e Curitiba somadas , ou cerca de dez horas de carro. Um único data center na região simplesmente não dá conta de atender bem todo esse território, principalmente quando o cliente é uma aplicação de IA sensível a milissegundos de atraso. Com a chegada a Recife, a EVEO passa a cobrir os dois maiores polos digitais do Nordeste ao mesmo tempo. “A localização da infraestrutura vai além de uma decisão técnica. É um fator estratégico para o negócio. Estar em Fortaleza e, a partir de agora, também em Recife nos permite oferecer menor latência, maior disponibilidade e uma experiência muito mais consistente para os clientes de todo o Nordeste”, afirma José Henrique Bermejo, CRO da EVEO. Fundada em 2014, a EVEO opera cinco data centers com classificação Tier III – o “selo de qualidade” que garante que um data center continua funcionando mesmo em situações adversas, como um apagão causado por temporal. As unidades ficam em Cotia e Osasco (SP), Curitiba (PR), Fortaleza (CE) e Miami (EUA). O movimento da EVEO acompanha uma explosão do setor no Brasil como um todo. Segundo o relatório Data Center Brasil 2026, da consultoria JLL , o país ganhou 106 megawatts de nova capacidade só no primeiro semestre deste ano, com mais 134 megawatts previstos até dezembro — o suficiente, no total, para movimentar cerca de US$ 8 bilhões em investimentos apenas em 2026. Um dado ajuda a entender o tamanho da demanda: a taxa de vacância — ou seja, a fatia de capacidade disponível e sem uso — está em apenas 4% no país, o que a própria JLL classifica como sinal de mercado aquecido. O setor já é seis vezes maior do que era em 2012, e a consultoria projeta que ele volte a dobrar de tamanho até 2030, somando 660 megawatts em construção e cerca de US$ 17,4 bilhões em investimentos . Dentro desse cenário nacional, Fortaleza ocupa papel central por conta de ser um ponto de convergência de cabos submarinos, ligando o continente com outros — e explica por que a EVEO escolheu o Ceará como sua primeira base regional, em 2024. Segundo dados da BBC e da TeleGeography, cerca de 90% do tráfego internacional de internet que chega ao Brasil passa pela Praia do Futuro, na capital cearense, por meio de 16 cabos submersos que conectam o país à Europa, aos Estados Unidos, ao Caribe e à África, o que torna a cidade o principal hub de conectividade da América Latina. A expansão também se beneficia de um novo cenário regulatório. O Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) , sancionado neste mês, cria incentivos tributários específicos para infraestrutura instalada nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além dos já concedidos ao restante do país. Somada à energia renovável abundante na região, o Nordeste registrou 2.233 MW médios de “curtailment”, termo usado para energia limpa gerada, mas desperdiçada por limitações de transmissão, só entre janeiro e abril deste ano. A combinação já é vista por especialistas como diferencial capaz de atrair investidores para fora do eixo Sudeste, que historicamente concentra a infraestrutura digital do país. A EVEO escolheu Recife para reduzir a latência e ampliar a disponibilidade de aplicações de missão crítica no Nordeste. A capital pernambucana fica a cerca de 800 quilômetros de Fortaleza, distância que dificulta atender toda a região a partir de um único ponto. A base regional de clientes da EVEO cresceu 272% em dois anos. Segundo a empresa, o avanço foi impulsionado pela demanda por servidores dedicados, private cloud e GPUs dedicadas para projetos de inteligência artificial. A EVEO pretende alcançar R$ 500 milhões em receita até 2030, conforme revelou a companhia em entrevista à EXAME. A EVEO opera cinco data centers Tier III, localizados em Cotia e Osasco, em São Paulo; Curitiba, no Paraná; Fortaleza, no Ceará; e Miami, nos Estados Unidos. A empresa também passará a ocupar uma unidade em Recife. Cerca de 90% do tráfego internacional de internet que chega ao Brasil passa pela Praia do Futuro, em Fortaleza, segundo dados da BBC e da TeleGeography. A capital reúne 16 cabos submarinos e é considerada o principal hub de conectividade da América Latina. O Brasil recebeu 106 MW de nova capacidade no primeiro semestre de 2026 e pode adicionar mais 134 MW até dezembro, segundo o relatório Data Center Brasil 2026, da JLL. A consultoria estima cerca de US$ 8 bilhões em investimentos no ano e projeta que o setor dobre de tamanho até 2030. Matéria completa em: Exame Copyright © 1998 – 2026 EVEO S.A. Todos direitos reservados.

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A imagem apresenta o interior de um data center, com corredores amplos e fileiras de racks de servidores posicionados dos dois lados. Os equipamentos possuem estruturas escuras, portas metálicas e painéis com pequenas luzes indicadoras. O ambiente é organizado e simétrico, com iluminação branca embutida no teto, piso técnico modular e sistemas de ventilação integrados. Ao fundo, é possível observar portas e outras estruturas da instalação. A perspectiva central destaca a profundidade do corredor e a disposição dos equipamentos, transmitindo uma sensação de organização, segurança e infraestrutura tecnológica avançada. A iluminação em tons frios e o contraste entre as áreas claras e escuras reforçam o aspecto moderno e tecnológico do ambiente.
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