A empresa brasileira que processa 1 trilhão de tokens por mês
O processamento de 1 trilhão de tokens por mês é a escala atual da infraestrutura de inteligência artificial (IA) da EVEO, empresa brasileira de nuvem privada e servidores dedicados. O número foi enviado pela companhia com exclusividade à EXAME.
No primeiro semestre deste ano, o valor dos negócios da empresa envolvendo unidades de processamento gráfico (GPU, na sigla em inglês) foi mais de 15 vezes superior ao do mesmo período do ano anterior, segundo a EVEO. O número de contratos fechados cresceu 233%.
“A inteligência artificial saiu do campo experimental e entrou nas operações reais das empresas”, afirma Fábio Stein, diretor de tecnologia da EVEO. Para o executivo, a dificuldade das companhias deixou de estar em iniciar pilotos e passou a estar em sustentá-los em produção, com previsibilidade de custo e governança de dados.
O que é um token?
Um token é a menor fatia de texto que um modelo processa: cerca de quatro caracteres, ou aproximadamente três quartos de uma palavra. Tudo o que entra e sai de uma IA é picado nessas fatias, e cada uma tem preço.
O preço caiu rápido. Tomando como referência a capacidade do GPT-4, o custo da inferência recuou de cerca de US$ 60 por milhão de tokens no início de 2023 para menos de US$ 1,50 no início de 2025, segundo levantamento do pesquisador Yicai Xing publicado no arXiv, plataforma de artigos ainda não revisados por pares.
Entenda o que é um token e como funciona
A Inteligência Artificial não lê palavras ou frases inteiras como nós. Em vez disso, ela quebra o texto em pedaços menores chamados tokens – e cada pedaço tem um custo em dinheiro real.
Como a IA enxerga a palavra “Inteligência”: intel – ig – ên – cia
1 palavra virou 4 tokens – cada bloco colorido é um fragmento que a IA lê, processa e, no final, cobra 130 mil tokens por R$1.
Nos modelos mais acessíveis do mercado, R$1 compra 130 mil tokens – o equivalente a centenas de conversas. Uma resposta típica da IA usa cerca de 500 tokens. Quanto mais longa a troca, maior a conta.
Tokens são:
Contados – A IA não lê “inteligência” – ela vê “intel”, “ig”, “ên”, “cia”. Espaços, vírgulas e acentos também viram tokens e entram na soma.
Limitados – Todo modelo tem um teto de tokens que consegue manter na memória de uma vez – a janela de contexto. Passe desse limite e ele começa a esquecer o início da conversa.
Cobrados – Você paga pela ida e pela volta: cada token que você envia e cada token que a IA devolve. Respostas longas custam mais do que respostas curtas.
Com o dólar a R$5,12, esse patamar equivale a cerca de R$7,70 por milhão de tokens. Um real compra, portanto, por volta de 130 mil – o suficiente para processar um romance inteiro.
Na prática do dia a dia, um e-mail de 500 palavras sai por meio centavo. Três anos antes, o mesmo texto teria custado cerca de 20 centavos. Um trilhão de tokens, por sua vez, custaria cerca de R$7,7 milhões.
A disputa por capacidade computacional no país
A expansão acompanha um movimento mais amplo de corrida por infraestrutura no Brasil. O setor de data centers deve receber US$11,4 milhões em investimentos até 2026, segundo a Brasscom, e o país concentra cerca de 83% da capacidade instalada da América Latina.
O acesso a poder computacional virou gargalo também para empresas menores. Em junho, a Claro anunciou o aluguel de GPU para pequenas e médias empresas, com investimento de R$1 bilhão.
No congresso, o Redata, programa de incentivo fiscal para importação de equipamentos, aguarda votação no Senado desde fevereiro.
Soberania de dados como argumento comercial
A EVEO opera cinco data centers certificados como Tier III pelo Uptime Institute, em Cotia e Osasco (SP), Curitiba (PR), Fortaleza (CE) e Miami (FL). A estrutura permite que o cliente escolha onde executar cada carga de trabalho conforme exigências de latência e conformidade regulatória.
É o mesmo argumento que provedores nacionais vêm usando contra as nuvens públicas globais: manter dados sensíveis sob jurisdição brasileira, sem depender de cláusulas contratuais de transferência internacional.
Fundada em 1998, a empresa afirma reunir mais de 2.500 clientes ativos e foi apontada como líder no ISG Provider Lens de servidores dedicados. Entre os maiores operadores do país, disputa espaço com Scala, Ascenty e os centros próprios de bancos e teles.
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