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Exame | EVEO processes 1 trillion tokens per month

Exame | EVEO processes 1 trillion tokens per month

By
Fernanda Correa
5
min read
Published on
28/07/2026
EVEO's artificial intelligence infrastructure and token processing

O processamento de 1 trilhão de tokens por mês é a escala atual da infraestrutura de inteligência artificial (IA) da EVEO, empresa brasileira de nuvem privada e servidores dedicados. O número foi enviado pela companhia com exclusividade à EXAME.

No primeiro semestre deste ano, o valor dos negócios da empresa envolvendo unidades de processamento gráfico (GPU, na sigla em inglês) foi mais de 15 vezes superior ao do mesmo período do ano anterior, segundo a EVEO. O número de contratos fechados cresceu 233%.

“A inteligência artificial saiu do campo experimental e entrou nas operações reais das empresas”, afirma Fábio Stein, diretor de tecnologia da EVEO. Para o executivo, a dificuldade das companhias deixou de estar em iniciar pilotos e passou a estar em sustentá-los em produção, com previsibilidade de custo e governança de dados.

O que é um token?

Um token é a menor fatia de texto que um modelo processa: cerca de quatro caracteres, ou aproximadamente três quartos de uma palavra. Tudo o que entra e sai de uma IA é picado nessas fatias, e cada uma tem preço.

O preço caiu rápido. Tomando como referência a capacidade do GPT-4, o custo da inferência recuou de cerca de US$ 60 por milhão de tokens no início de 2023 para menos de US$ 1,50 no início de 2025, segundo levantamento do pesquisador Yicai Xing publicado no arXiv, plataforma de artigos ainda não revisados por pares.

Entenda o que é um token e como funciona

A Inteligência Artificial não lê palavras ou frases inteiras como nós. Em vez disso, ela quebra o texto em pedaços menores chamados tokens – e cada pedaço tem um custo em dinheiro real.

Como a IA enxerga a palavra “Inteligência”: intel – ig – ên – cia

1 palavra virou 4 tokens – cada bloco colorido é um fragmento que a IA lê, processa e cobra 130 mil tokens por R$1.

Nos modelos mais acessíveis do mercado, R$1 compra 130 mil tokens – o equivalente a centenas de conversas. Uma resposta típica da IA usa cerca de 500 tokens. Quanto mais longa a troca, maior a conta.

Tokens são:

  • Contados – A IA não lê “inteligência” – ela vê “intel”, “ig”, “ên”, “cia”. Espaços, vírgulas e acentos também viram tokens e entram na soma.
  • Limitados – Todo modelo tem um teto de tokens que consegue manter na memória de uma vez – a janela de contexto. Passe desse limite e ele começa a esquecer o início da conversa.
  • Cobrados – Você paga pela ida e pela volta: cada token que você envia e cada token que a IA devolve. Respostas longas custam mais do que respostas curtas.

Com o dólar a R$5,12, esse patamar equivale a cerca de R$7,70 por milhão de tokens. Um real compra, portanto, por volta de 130 mil – o suficiente para processar um romance inteiro.

Na prática do dia a dia, um e-mail de 500 palavras sai por meio centavo. Três anos antes, o mesmo texto teria custado cerca de 20 centavos. Um trilhão de tokens, por sua vez, custaria cerca de R$7,7 milhões.

A disputa por capacidade computacional no país

A expansão acompanha um movimento mais amplo de corrida por infraestrutura no Brasil. O setor de data centers deve receber US$11,4 milhões em investimentos até 2026, segundo a Brasscom, e o país concentra cerca de 83% da capacidade instalada da América Latina.

O acesso a poder computacional virou gargalo também para empresas menores. Em junho, a Claro anunciou o aluguel de GPU para pequenas e médias empresas, com investimento de R$1 bilhão.

No congresso, o Redata, programa de incentivo fiscal para importação de equipamentos, aguarda votação no Senado desde fevereiro.

Soberania de dados como argumento comercial

A EVEO opera cinco data centers certificados como Tier III pelo Uptime Institute, em Cotia e Osasco (SP), Curitiba (PR), Fortaleza (CE) e Miami (FL). A estrutura permite que o cliente escolha onde executar cada carga de trabalho conforme exigências de latência e conformidade regulatória.

É o mesmo argumento que provedores nacionais vêm usando contra as nuvens públicas globais: manter dados sensíveis sob jurisdição brasileira, sem depender de cláusulas contratuais de transferência internacional.

Fundada em 1998, a empresa afirma reunir mais de 2.500 clientes ativos e foi apontada como líder no ISG Provider Lens de servidores dedicados. Entre os maiores operadores do país, disputa espaço com Scala, Ascenty e os centros próprios de bancos e teles.

Matéria completa em: Exame

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